Psicoterapia com pacientes oncológicos

Atualizado: 16 de mar. de 2019



Todas às vezes que uma pessoa se depara com a palavra “câncer”, é inevitável que ela sofra um grande impacto. Principalmente se essa palavra for utilizada no momento de algum diagnóstico médico.

Em nossa cultura ocidental atual, quando nos deparamos com a presença real de nossa finitude ou quando nos sentimos ameaçados de forma vital por alguma doença, logo nos sentimos desolados e o medo toma conta de nosso psicológico. Fantasiamos com nossa própria morte ou com a perda de algum ente que recebe essa notícia. Desse modo, a psicologia entra de forma a trazer uma melhor qualidade de vida para o paciente acometido dessa doença. Antes disso, fazer com que ele consiga dar sentido e significado à essa fase da vida em que ele está submetido.

Para que o paciente consiga significar essa fase tão difícil, é preciso que ele elabore o próprio luto. Isso mesmo. Parece estranho, mas realmente, o luto não existe somente com a presença da morte. Kübler-Ross, autora referência para descrever todas as fases do luto, diz que o ser humano necessita passar pelas fases do luto para que ele possa significar e dar conta de seu próprio processo. Tais fases não seguem uma via de regra, mas, segundo seus estudos, os pacientes passam por elas na seguinte ordem: negação e isolamento, raiva, barganha, depressão, aceitação. Falaremos brevemente sobre cada uma delas:

  • Negação e isolamento: Essa fase acontece no momento da notícia do médico ao paciente, onde o mesmo evita contato social por não conseguir assimilar tal notícia. A negação acontece por não querer aceitar que aquilo está acontecendo com ele.


  • Raiva: Essa fase acontece quando a pessoa não consegue suportar a ideia de que sua vida está sendo ameaçada. Se nega tanto a ponto de sentir raiva da vida, da situação e das pessoas.

  • Barganha: Essa fase acontece quando a pessoa não vê nenhuma saída além da barganha com o ser sobrenatural. Tentar barganhar com Deus é comum, oferecendo-Lhe promessas e sacrifícios em troca de sua cura.

  • Depressão: Essa fase acontece quando as saídas se esgotam completamente e nem a barganha é mais uma saída lógica para o paciente. Percebe que não existe mais forma de se curar e se desliga aos poucos dos objetos que antes lhes traiam vida.

  • Aceitação: Essa fase é a parte em que o paciente aceita sua situação perante a vida e a doença. Nela, entende que o processo da vida acontece dessa maneira e que a morte é uma das fases em que todos passaremos.

Além dessas fases, existe sempre a esperança, que atravessa cada uma delas.

A Psicologia tem o papel de fazer com que o sujeito se encontre dentro desse processo e se compreenda nele. Assim, o psicólogo faz com que o paciente reflita sobre sua vida e elabore os processos de luto de forma com que ele tenha uma perspectiva diferente de sua vida. Viktor Frankl diz que o ser humano é capaz de encontrar sentido em sua vida em qualquer situação em que está sendo submetido. Assim, todo e qualquer tipo de pessoa em qualquer tipo de situação pode ressignificar sua existência e a maneira de olhar para ela, mesmo sabendo de sua finitude.

Laurence Vinícius de Freitas Ribeiro

CRP 04/47201

Psicólogo Clínico

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